O Papa Francisco se destacou por uma crítica profunda ao sistema capitalista, defendendo não apenas reformas, mas uma verdadeira mudança de sistema. Em encontros com movimentos populares, ele denunciou a lógica do lucro a qualquer custo, que gera exclusão social, destruição ambiental e uma “cultura do descarte”. Francisco propõe uma alternativa baseada nos “três T” – trabalho, teto e terra – e no protagonismo das maiorias excluídas na construção de uma sociedade mais justa. Em vez de ocupar espaços de poder, ele defendeu gerar processos de transformação que priorizem o bem comum, os direitos humanos e a harmonia com a natureza. Inspirado em Francisco de Assis, o Papa rompe com o antropocentrismo e propõe uma economia da fraternidade entre todos os seres. Sua voz se tornou referência ética e política entre os que lutam por dignidade, justiça social e ambiental.
Categoria: Debates
Ahmet Kuru: “Desmantelar o ‘Estado ulemá’ é crucial para o futuro dos países de maioria muçulmana”
Opinião: Ao invés de somente culpar o Islã ou o colonialismo do Ocidente, sociedades muçulmanas deveriam praticar uma crítica auto-reflexão e desmantelar o “Estado ulemá” para verdadeiramente abordar os problemas políticos e socioeconômicos, escreve Ahmet T. Kuru - diretor do Centro de Estudos Islâmicos e Árabes e ex-professor de Ciência Política na San Diego State University.
O Vaticano e o Holocausto: implicações políticas do silêncio de Pio XII
Recentemente um documento foi exposto nos noticiários que revelou que Eugenio Paccelli, Papa Pio XII (1939 - 1958), estava ciente da existência de campos nazistas e o funcionamento real deles. Contrapondo os ditos anteriormente que afirmavam a desinformação da Santa Sé na época, descredibilizando a atuação de Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial e sua neutralidade - com o silêncio - diante das milhares de mortes que ocorreram, principalmente contra à população judaica. Mas por que as cartas estão vindo à tona agora, e o que o silêncio de Pio XII representa politicamente para o Vaticano?
Esperanças renovadas para o catolicismo na China através de uma nomeação surpresa
No último dia 9 de julho, após celebrar o Angelus, oração que remete ao momento da Anunciação do Anjo Gabriel a Maria e é realizada dominicalmente na Praça São Pedro, o Papa Francisco anunciou um Consistório para a criação de 21 novos cardeais. A informação da assembleia cardinalícia, que ocorrerá no dia 30 de setembro, chegou como uma considerável surpresa mesmo para os vaticanistas mais atentos. Francisco tem promovido reformas estruturais relevantes em uma Igreja que cada vez tem mais dificuldade em manter sua relevância de outrora, mas poucos poderiam apostar que em uma só tacada o Sul Global viria com tanta força ao Colégio de Cardeais.
Dimensões religiosas do populismo: o sagrado, o sobrenatural e o escatológico
O populismo é um estilo espiritual de fazer política. Se trata de um “estilo político” e não um sistema ideológico fixo. Considerando uma ampla gama de casos populistas ao redor do mundo, podemos identificar três elementos quase religiosos do estilo populista que vão além de meros interesses racionais: o sagrado, o sobrenatural e o apocalíptico, ou escatológico. Esses três aspectos espirituais não estão presentes em todos os casos, mas cada um pode nos ajudar a entender o estranho apelo do populismo.
Crimes de Ódio e Islamofobia: Um Novo Cenário nos Estados Unidos?
O crime de ódio é um tema que constitui diversos ângulos, não se abstém de fatores históricos, muito menos de processos sociopolíticos, sequer das entrelinhas do fator cultural. Neste texto, abordamos o tema dos crimes de ódio, destacando a sua relação com fatores históricos, processos sociopolíticos e questões culturais. Referências como o livro "O Orientalismo", de Edward Said, nos ajudam a compreender a ficção construída em torno do Oriente Médio e a necessidade de evitar generalizações.
Os movimentos do papa para mediar a guerra da Ucrânia
Francisco se reúne com Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do conflito no leste europeu. Líder religioso tem buscado retomar tradição do Vaticano de atuar pelo fim de embates geopolíticos.
A Invenção da Religião Como Violência
"Mais guerras foram travadas, mais pessoas foram mortas e mais maldade perpetrada em nome da religião do que por qualquer outra força institucional na história da humanidade." Deparados com esta comum afirmação, o que significamos por religião? Quais seriam estas outras forças institucionais? Quanto tempo abarca a história da humanidade? Este breve texto propõe verificar se tal assertiva resiste a uma sucinta reflexão empírica.
É possível pensar em “Potências Médias Religiosas”?
Um número crescente de estudiosos de RI e formuladores de políticas agora acreditam que o estudo da religião adiciona valor à nossa compreensão dos assuntos mundiais. O benefício oposto pode ser igualmente verdadeiro - que os conceitos de RI adicionam valor à nossa compreensão da religião. Neste post, voltamos ao conceito de potência média usado em discursos sobre política externa e o aplicamos à religião.
A estratégia neopentecostal, a guerra espiritual e os atos golpistas
Os atos golpistas de 8 de janeiro repercutiram nacional e internacionalmente como um atentado contra o republicanismo, a civilidade e o povo brasileiro que, apenas uma semana antes, havia entregado a faixa presidencial ao 39° presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que não tenham origem religiosa, os atos em frente aos quartéis, mas também os grupos e fóruns de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, rememoram a estratégias utilizadas por grupos que tradicionalmente o são. Uma delas, familiar para os pesquisadores de neopentecostais, é a de expulsar aqueles que seriam os responsáveis pela desgraça da nação, inclusive através do uso da força.
