Debates

Papa Francisco, capitalismo e movimentos populares

O Papa Francisco se destacou por uma crítica profunda ao sistema capitalista, defendendo não apenas reformas, mas uma verdadeira mudança de sistema. Em encontros com movimentos populares, ele denunciou a lógica do lucro a qualquer custo, que gera exclusão social, destruição ambiental e uma “cultura do descarte”. Francisco propõe uma alternativa baseada nos “três T” – trabalho, teto e terra – e no protagonismo das maiorias excluídas na construção de uma sociedade mais justa. Em vez de ocupar espaços de poder, ele defendeu gerar processos de transformação que priorizem o bem comum, os direitos humanos e a harmonia com a natureza. Inspirado em Francisco de Assis, o Papa rompe com o antropocentrismo e propõe uma economia da fraternidade entre todos os seres. Sua voz se tornou referência ética e política entre os que lutam por dignidade, justiça social e ambiental.

Notícias

Francisco, o papa que confrontou a indiferença

O pontificado de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, primeiro latino-americano e jesuíta a liderar a Igreja Católica, foi marcado por doze anos de reformas institucionais, protagonismo internacional e um estilo pastoral voltado à simplicidade, à paz e à justiça social. Sua atuação destacou-se pela crítica ao neoliberalismo, defesa dos migrantes, apelos à paz global e combate à crise ambiental, notadamente expressos nas encíclicas Laudato Si’ e Fratelli Tutti. Internamente, promoveu mudanças estruturais, como a reforma da Cúria Romana com a Praedicate Evangelium, ampliou o espaço para leigos e mulheres em posições de liderança e assumiu posição mais inclusiva diante de minorias e dos escândalos de abuso sexual na Igreja. Sua diplomacia de princípios aproximou a Santa Sé do diálogo inter-religioso e das causas sociais contemporâneas. Com sua morte em abril de 2025, após uma última bênção marcada por apelos à paz mundial, a Igreja enfrenta agora o desafio de escolher um sucessor que possa dar continuidade — ou não — a esse legado de abertura e engajamento com os “condenados da terra”.

Debates, Notícias

O Vaticano e o Holocausto: implicações políticas do silêncio de Pio XII

Recentemente um documento foi exposto nos noticiários que revelou que Eugenio Paccelli, Papa Pio XII (1939 - 1958), estava ciente da existência de campos nazistas e o funcionamento real deles. Contrapondo os ditos anteriormente que afirmavam a desinformação da Santa Sé na época, descredibilizando a atuação de Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial e sua neutralidade - com o silêncio - diante das milhares de mortes que ocorreram, principalmente contra à população judaica. Mas por que as cartas estão vindo à tona agora, e o que o silêncio de Pio XII representa politicamente para o Vaticano?

Debates

Esperanças renovadas para o catolicismo na China através de uma nomeação surpresa

No último dia 9 de julho, após celebrar o Angelus, oração que remete ao momento da Anunciação do Anjo Gabriel a Maria e é realizada dominicalmente na Praça São Pedro, o Papa Francisco anunciou um Consistório para a criação de 21 novos cardeais. A informação da assembleia cardinalícia, que ocorrerá no dia 30 de setembro, chegou como uma considerável surpresa mesmo para os vaticanistas mais atentos. Francisco tem promovido reformas estruturais relevantes em uma Igreja que cada vez tem mais dificuldade em manter sua relevância de outrora, mas poucos poderiam apostar que em uma só tacada o Sul Global viria com tanta força ao Colégio de Cardeais.

Debates

A Invenção da Religião Como Violência

"Mais guerras foram travadas, mais pessoas foram mortas e mais maldade perpetrada em nome da religião do que por qualquer outra força institucional na história da humanidade." Deparados com esta comum afirmação, o que significamos por religião? Quais seriam estas outras forças institucionais? Quanto tempo abarca a história da humanidade? Este breve texto propõe verificar se tal assertiva resiste a uma sucinta reflexão empírica.

Debates

A estratégia neopentecostal, a guerra espiritual e os atos golpistas

Os atos golpistas de 8 de janeiro repercutiram nacional e internacionalmente como um atentado contra o republicanismo, a civilidade e o povo brasileiro que, apenas uma semana antes, havia entregado a faixa presidencial ao 39° presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que não tenham origem religiosa, os atos em frente aos quartéis, mas também os grupos e fóruns de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, rememoram a estratégias utilizadas por grupos que tradicionalmente o são. Uma delas, familiar para os pesquisadores de neopentecostais, é a de expulsar aqueles que seriam os responsáveis pela desgraça da nação, inclusive através do uso da força.